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​Com isolamento à vista no Reino Unido, outras crises podem gerar ainda mais problemas aos imigrantes

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(LONDRES) Por Cristiane Lebelem


A brasileira Daiane*, de 34 anos,  divide a casa onde vive em Willesden Green, região norte de Londres, com outras 14 pessoas de diversas nacionalidades, e tem dúvidas sobre como estará protegida dos riscos de contágio pelo corona vírus. 


Com o cenário estão bastante alarmante, alguns dos que dividem a casa com ela não tem saído para trabalhar ou estudar - com tanto receio do que vai acontecer,  o entra e saí da casa ficou ainda pior nos últimos dias. A brasileira que trabalha de garçonete em hotéis e eventos no centro de Londres já não tem certeza também de quanto dinheiro entrará no fim do mês, e já está apreensiva com as contas. “Fiz poucas horas, e tenho contrato zero hora, só ganho quando me chamam mesmo”, conta.


Na casa em que ela vive são apenas dois banheiros, uma cozinha-sala, e no total são cinco quartos mobiliados com beliches e guarda-roupas compartilhados. Um cenário bastante conhecido de quem imigra para a Inglaterra, e com pouco dinheiro no bolso para as despesas, além da dificuldade em comprovar documentação, acaba se sujeitando o a viver assim. “Confortável não é, mas vai fazer o que, né?”, suspira a brasileira. “Ou é isso, ou é voltar pro Brasil, o que não quero de jeito nenhum, até porque mesmo que a gente queira já não dá mais pra sair daqui”, comenta.  Mas, a preocupação da Daiane vão além de tentar manter o seu espaço em condições de ficar em isolamento. “Com essa falta de papel higiênico e álcool em gel para comprar, sem contar a comida que não tem muito nas prateleiras, a gente tem que cuidar para não desaparecer nossas coisas”, conta.


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Na casa compartilhada o espaço é dividido entre todos, tudo é coletivo.  Fotos Reprodução


Assim como a brasileira, muitos imigrantes que vivem em casas dividas estão preocupados com a higiene e a manutenção das moradias. Isso sem contar que com a queda significativa do movimento na economia alguns setores podem ser profundamente afetados e implicar perdas para os trabalhadores também.


No setor de lanchonetes, hotelaria, restaurantes, bares e boates, que absorve muita da mão de obra de imigrantes, muita gente teve as escala de trabalho drasticamente diminuída, ou mesmo já cortada. Ao que tudo indica muitos setores serão duramente impactados com uma determinação do governo de isolamento.


O governo britânico vem sendo duramente criticado pela população, e inclusive por outros governantes pela demora em confirmar o fechamento de escolas e universidades. Muito embora aos pequenos negócios já afirmaram que dará suporte, considerando que os funcionários podem solicitar a tradicional folga por motivo de doença, que paga £94.25 por semana para o trabalhador. Mas o problema também é que muitos negócios dependem de liquidez para bancar as contas, e já reclamam da condição praticamente compulsória no momento.

 

Os sindicatos já se posicionaram quanto ao valor, mas até agora o governo também não colocou às claras como devem agir as empresas, e quem vai pagar a conta do corona vírus. “Eu queria que isto terminasse logo e que eu pudesse trabalhar normalmente, e saber que vou poder ver a minha família de novo logo”, desabafa a brasileira.


Mas se de um lado muita gente está ficando em casa, de outro exitem os que não têm a opção de parar. É o caso da Miria Borkenhagen, que vive me Londres há 15 anos. Ela conta desde 2018, optou por trabalhar com entrega de comida, deixando o trabalho de limpeza, para poder ter ao lado o filho autista, ela carrega Guilherme com ela o dia todo. No entanto, nesta época de risco, os dois vão para rua para assegurar a entrega de dezenas de pedidos por dia. “Estamos deixando a comida na porta do cliente,  o que dá medo porque pode acontecer alguma coisa, e no final a gente pode levar o prejuízo. Estamos na pressão. A carga horária não aumentou, mas o risco está maior porque temos que ficar expostos, por exemplo, dentro do restaurante esperando o pedido do cliente. E não tem como parar, sou self-employed. Tenho uma conta fixa do meu carro e seguro para pagar”, ressalta a brasileira que segue trabalhando até que o governo tenha uma determinação sobre o tema. 


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Miria e o filho Guilherme saindo para trabalhar nesta segunda-feira (16).




Como muita gente já está trabalhando de casa, o serviço de entregas tem sido uma ponte importante para o comércio. “As empresas que nos contratam como entregadores organizaram bem o lado cliente – tem a entrega contactless, a entrega é feita sem contato, mas não alteraram nada para a gente quanto a retirada do local de compra. Muitas vezes temos que ficar empilhados nos balcões esperando o pedido ficar pronto”, ressalta.


Para Miria, não existe uma organização que proteja quem está trabalhando por parte das empresas ou do governo britânico, e destaca, “se o governo não fechar, que eu já ter fechado. Se não houver essa iniciativa, muita gente vai ser contaminada. Se o governo não determinar que temos que parar, outros não vão fazer isto”, conclui.


O plano divulgado pelo governo de Boris Johnson no começo de março conta com quatro fases, o que prevê novas regras para prioridade de atendimento pelo NHS, e também acolhe a possibilidade de isolamento optativo.


Na manhã desta segunda-feira (16), uma nova reunião será feita pelo comitê responsável pelas determinações quanto ao corona vírus em território britânico.


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Com os altos preços de moradia, muita gente acaba optando por dividir a casa.  Foto Reprodução



1 Comentários

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Espero que seja corrigido em breve e que possamos finalmente ser livres!

escrito por a href="http://baixarwinrar.com/">Baixar Winrar 09/mai/20    15:13 h.

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